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Pesquisa aponta aumento da letalidade policial na Baixada

Tatiana Alves - reporter da Radio Nacional by Tatiana Alves - reporter da Radio Nacional
25 de julho de 2026
in Ultimas Noticias, Uncategorized
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Pesquisa aponta aumento da letalidade policial na Baixada

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Uma pesquisa da organização IDMJRacial revela um cenário preocupante na Baixada Fluminense. Embora o número de operações policiais tenha diminuído na região nos últimos anos, a letalidade dessas ações aumentou, acompanhada pelo crescimento do encarceramento em massa.

Entre 2020 e 2025, foram registradas 5.298 operações policiais nos 13 municípios da região. Nesse período, 282 pessoas morreram, 652 ficaram feridas, quase 5.800 foram presas e 41 adolescentes acabaram apreendidos.

Os pesquisadores apontam que os principais atingidos pela violência urbana e pela violência do Estado são jovens negros, moradores de favelas e periferias, com baixa escolaridade e, em sua maioria, homens.

Ainda de acordo com o estudo, cinco dos treze municípios da Baixada Fluminense concentram 75% das mortes registradas nas ações. Duque de Caxias lidera com 66 mortos e 160 feridos, seguido por Belford Roxo, São João de Meriti, Nova Iguaçu e Japeri. A doutoranda em Sociologia na UERJ e pesquisadora da iniciativa, Kharine Gil, pondera que esse número pode ser superior.

“A gente não consegue ter o retorno se pessoas que foram dadas como feridas vieram a óbito ou não. Então, pode ser que o número de óbitos seja maior ainda do que temos mapeado. Tem uma concentração territorial muito grande de onde as coisas estão acontecendo, de onde o Estado é mais violento e de onde as operações são estrategicamente mais voltadas para o embate, né?”

O estudo também chama a atenção para a escalada da letalidade nas ações da Polícia Civil. Em 2024, foram realizadas 336 operações, com um índice de mortes de 2%. Já em 2025, embora o número de ações tenha caído para 66, a taxa de letalidade saltou para 18%.

Outro dado que chama atenção é o número de prisões. Foram quase 5.800 pessoas detidas no período, sendo 62% das prisões realizadas exclusivamente pela Polícia Militar.

A pesquisa questiona a justificativa para grandes operações policiais. Isso porque as apreensões mostram predominância de pistolas e rádios comunicadores, enquanto os fuzis representaram apenas 5,5% das armas recolhidas nas ações. Kharine Gil argumenta que existe um desequilíbrio no aparato empregado pelas polícias quando se leva em conta o cenário encontrado.

“Há uma instauração do medo e do terror nesses territórios e, ao mesmo tempo, não tem investimento em saúde e em educação. O que a gente questiona é muito mais em relação à proporcionalidade da força que é empregada nesses territórios. Enquanto tem crianças que tomam bala perdida, crianças que são assassinadas, pessoas que não conseguem ir ao trabalho ou que têm um comércio e precisam fechar por causa do tiroteio… essa força é proporcional ao que está sendo encontrado naquele espaço? A gente entende que não.”

O levantamento aponta que a maior parte das incursões visava combater o tráfico de drogas e remover barricadas em áreas controladas por facções criminosas. Apenas para a retirada dessas estruturas, a Baixada Fluminense registrou 257 operações em cinco anos.

Uma pesquisa da organização IDMJRacial revela um cenário preocupante na Baixada Fluminense. Embora o número de operações policiais tenha diminuído na região nos últimos anos, a letalidade dessas ações aumentou, acompanhada pelo crescimento do encarceramento em massa.

Entre 2020 e 2025, foram registradas 5.298 operações policiais nos 13 municípios da região. Nesse período, 282 pessoas morreram, 652 ficaram feridas, quase 5.800 foram presas e 41 adolescentes acabaram apreendidos.

Os pesquisadores apontam que os principais atingidos pela violência urbana e pela violência do Estado são jovens negros, moradores de favelas e periferias, com baixa escolaridade e, em sua maioria, homens.

Ainda de acordo com o estudo, cinco dos treze municípios da Baixada Fluminense concentram 75% das mortes registradas nas ações. Duque de Caxias lidera com 66 mortos e 160 feridos, seguido por Belford Roxo, São João de Meriti, Nova Iguaçu e Japeri. A doutoranda em Sociologia na UERJ e pesquisadora da iniciativa, Kharine Gil, pondera que esse número pode ser superior.

“A gente não consegue ter o retorno se pessoas que foram dadas como feridas vieram a óbito ou não. Então, pode ser que o número de óbitos seja maior ainda do que temos mapeado. Tem uma concentração territorial muito grande de onde as coisas estão acontecendo, de onde o Estado é mais violento e de onde as operações são estrategicamente mais voltadas para o embate, né?”

O estudo também chama a atenção para a escalada da letalidade nas ações da Polícia Civil. Em 2024, foram realizadas 336 operações, com um índice de mortes de 2%. Já em 2025, embora o número de ações tenha caído para 66, a taxa de letalidade saltou para 18%.

Outro dado que chama atenção é o número de prisões. Foram quase 5.800 pessoas detidas no período, sendo 62% das prisões realizadas exclusivamente pela Polícia Militar.

A pesquisa questiona a justificativa para grandes operações policiais. Isso porque as apreensões mostram predominância de pistolas e rádios comunicadores, enquanto os fuzis representaram apenas 5,5% das armas recolhidas nas ações. Kharine Gil argumenta que existe um desequilíbrio no aparato empregado pelas polícias quando se leva em conta o cenário encontrado.

“Há uma instauração do medo e do terror nesses territórios e, ao mesmo tempo, não tem investimento em saúde e em educação. O que a gente questiona é muito mais em relação à proporcionalidade da força que é empregada nesses territórios. Enquanto tem crianças que tomam bala perdida, crianças que são assassinadas, pessoas que não conseguem ir ao trabalho ou que têm um comércio e precisam fechar por causa do tiroteio… essa força é proporcional ao que está sendo encontrado naquele espaço? A gente entende que não.”

O levantamento aponta que a maior parte das incursões visava combater o tráfico de drogas e remover barricadas em áreas controladas por facções criminosas. Apenas para a retirada dessas estruturas, a Baixada Fluminense registrou 257 operações em cinco anos.

Tatiana Alves - reporter da Radio Nacional

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