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Mascote da Copa, tatu-bola continua ameaçado e terá plano de proteção

Isabela Vieira - Reporter da Agencia Brasil by Isabela Vieira - Reporter da Agencia Brasil
19 de julho de 2026
in Ultimas Noticias, Uncategorized
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Mascote da Copa, tatu-bola continua ameaçado e terá plano de proteção

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Existe um bichinho que combine mais com o futebol que o tatu-bola? O animal, que para se proteger dos predadores se fecha todinho, igual a uma bola, foi mascote da Copa do Mundo do Brasil, em 2014. Mas o Fuleco da vida real continua ameaçado de extinção, apesar da visibilidade que teve.

Felipe Melo é professor da Universidade Federal de Pernambuco. Segundo ele, o tatu-bola tem um comportamento noturno, passa o tempo na vegetação seca da caatinga e só sai para se alimentar. Ele colabora para o controle de pragas, pois come formigas, cupins, larvas e pequenos insetos. Na natureza, tem ainda o papel de movimentar nutrientes do solo.

“Os tatus em geral, não só o tatu bola, mas todos os tatus que ocorrem na Catinga, tatu galinha, tatu peba, eles são o que a gente chama de engenheiros ecossistêmicos, porque o seu hábito fossorial, ou seja, de cavar, né, e de criar tocas, né, revolve muito sedimentos, né? E isso na Caatinga é uma coisa muito importante, porque a mistura do sedimento do solo uma vez compactado, degradado, onde um tatu chega e consegue cavar, trazer solo menos compactado para cima, ajuda na regeneração da Caatinga”.

Ao se enrolar formando uma bola do tamanho de um coco, o tatu-bola torna-se quase impenetrável aos predadores naturais. Quanto aos humanos, além de conseguir pegá-lo com a mão, também têm empurrado o bichinho para longe de seu habitat natural, em estados como a Bahia, o Ceará, a Paraíba, Pernambuco e Piauí.

A coordenadora científica do Programa de Conservação do Tatu-bola, da Associação Caatinga, Flávia Miranda, explica que empreendimentos energéticos e novas estradas têm atrapalhado a sobrevivência deste mamífero.

“O nome científico dele é Tolipeutis tricinctus. Ele está ameaçado por questão da perda do habitat e também pela caça. Perda de habitat vem por questão de desmatamento mesmo e hoje em dia tem pressões como eólica, né? As fazendas de placas solares, né, elas estão sendo muito utilizadas na Catinga, infelizmente é bem na área de ocorrência do tatu bola, porque as placas ficam normalmente ao sopé de uma montanha, né? Na parte baixa que é onde o tatu bola gosta de usar, né? Então, são grandes placas, são fazendas de placas, né? Grandes áreas captando energia solar, são empresas mesmo, né?”

O mascote Fuleco ajudou na conscientização quanto ao problema da caça predatória, esportiva e também a de subsistência. O sertanejo Lourisvaldo Camilo, que atualmente integra o Projeto Ecologia e Conservação Participativa do Tatu-Bola, na Chapada Diamantina, lembra que já caçou tatu-bola para comer. Mas hoje trabalha na preservação da espécie.

Rio de Janeiro (RJ), 19/06/2026 –  Lourisvaldo atua no projeto ECP Tatu-Bola, na Chapada Diamantina, na Bahia  Foto:  Lourisvaldo Camilo/Arquivo pessoal

“Quando nós era criança, né, que era meio ruim assim o custo de vida, a gente pegava ele para alimentar, para comer. Era o tatu-bola, era o galinha. A gente não tinha assim conhecimento, né? a importância que ele tinha, mas hoje em dia não faz mais isso não, por aqui não, pegar assim ele para matar para se alimentar não. A gente tá trabalhando para preservar ele agora. É porque a gente tomou conhecimento que eles têm o mesmo direito de sobreviver igual a gente, né? E eles faz parte também da natureza, né? A gente tem que respeitar, né? os espaços de cada um, né? Que os animais e que eles também é muito importante, né? Na natureza”.

De acordo com o ICMBio, que é um órgão do governo federal, o tatu-bola permanece classificado como uma espécie “em perigo” na lista de fauna ameaçada. Emerson de Oliveira é gerente de conservação da Biodiversidade da Fundação Gruo Boticário. Ele explica que algumas ações foram tomadas em 2026 para preservar a espécie, como a ampliação de parques nacionais e a Política Nacional para Recuperação da Caatinga, que foram criadas em junho.

“Não tem como tornar tudo como unidade de conservação. Mas aquelas áreas que mantém os remanescentes mais significativos, eles precisam e devem ser protegidos pelos nossos governos. E nessa área em específico, lá na região da Serra das Confusões, é uma das regiões mais importantes do ponto de vista biológico do Brasil porque tá numa região ali de contato entre a Catinga, o Cerrado e essa região de floresta densa, encrave de Mata Atlântica, inclusive. É fundamental para se proteger a biodiversidade em si e isso reflete na proteção, especialmente as espécies guarda-chuva, tem grandes felinos, por exemplo, né? E se protege todas as demais espécies ali da região”.

Para garantir a sobrevivência do tatu-bola, deve ser lançado ainda este ano o Plano de Ação Nacional para Conservação do Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e o Tatu-Bola, chamado de PAN Tatá. O trabalho é liderado do ICMBio e conta com órgãos ambientais, cientistas e organizações da sociedade civil. O objetivo é diminuir as principais ameaças a essas espécies nos próximos cinco anos, com ações como combate ao atropelamento, à caça e o mapeamento genético.

Existe um bichinho que combine mais com o futebol que o tatu-bola? O animal, que para se proteger dos predadores se fecha todinho, igual a uma bola, foi mascote da Copa do Mundo do Brasil, em 2014. Mas o Fuleco da vida real continua ameaçado de extinção, apesar da visibilidade que teve.

Felipe Melo é professor da Universidade Federal de Pernambuco. Segundo ele, o tatu-bola tem um comportamento noturno, passa o tempo na vegetação seca da caatinga e só sai para se alimentar. Ele colabora para o controle de pragas, pois come formigas, cupins, larvas e pequenos insetos. Na natureza, tem ainda o papel de movimentar nutrientes do solo.

“Os tatus em geral, não só o tatu bola, mas todos os tatus que ocorrem na Catinga, tatu galinha, tatu peba, eles são o que a gente chama de engenheiros ecossistêmicos, porque o seu hábito fossorial, ou seja, de cavar, né, e de criar tocas, né, revolve muito sedimentos, né? E isso na Caatinga é uma coisa muito importante, porque a mistura do sedimento do solo uma vez compactado, degradado, onde um tatu chega e consegue cavar, trazer solo menos compactado para cima, ajuda na regeneração da Caatinga”.

Ao se enrolar formando uma bola do tamanho de um coco, o tatu-bola torna-se quase impenetrável aos predadores naturais. Quanto aos humanos, além de conseguir pegá-lo com a mão, também têm empurrado o bichinho para longe de seu habitat natural, em estados como a Bahia, o Ceará, a Paraíba, Pernambuco e Piauí.

A coordenadora científica do Programa de Conservação do Tatu-bola, da Associação Caatinga, Flávia Miranda, explica que empreendimentos energéticos e novas estradas têm atrapalhado a sobrevivência deste mamífero.

“O nome científico dele é Tolipeutis tricinctus. Ele está ameaçado por questão da perda do habitat e também pela caça. Perda de habitat vem por questão de desmatamento mesmo e hoje em dia tem pressões como eólica, né? As fazendas de placas solares, né, elas estão sendo muito utilizadas na Catinga, infelizmente é bem na área de ocorrência do tatu bola, porque as placas ficam normalmente ao sopé de uma montanha, né? Na parte baixa que é onde o tatu bola gosta de usar, né? Então, são grandes placas, são fazendas de placas, né? Grandes áreas captando energia solar, são empresas mesmo, né?”

O mascote Fuleco ajudou na conscientização quanto ao problema da caça predatória, esportiva e também a de subsistência. O sertanejo Lourisvaldo Camilo, que atualmente integra o Projeto Ecologia e Conservação Participativa do Tatu-Bola, na Chapada Diamantina, lembra que já caçou tatu-bola para comer. Mas hoje trabalha na preservação da espécie.

Rio de Janeiro (RJ), 19/06/2026 –  Lourisvaldo atua no projeto ECP Tatu-Bola, na Chapada Diamantina, na Bahia  Foto:  Lourisvaldo Camilo/Arquivo pessoal

“Quando nós era criança, né, que era meio ruim assim o custo de vida, a gente pegava ele para alimentar, para comer. Era o tatu-bola, era o galinha. A gente não tinha assim conhecimento, né? a importância que ele tinha, mas hoje em dia não faz mais isso não, por aqui não, pegar assim ele para matar para se alimentar não. A gente tá trabalhando para preservar ele agora. É porque a gente tomou conhecimento que eles têm o mesmo direito de sobreviver igual a gente, né? E eles faz parte também da natureza, né? A gente tem que respeitar, né? os espaços de cada um, né? Que os animais e que eles também é muito importante, né? Na natureza”.

De acordo com o ICMBio, que é um órgão do governo federal, o tatu-bola permanece classificado como uma espécie “em perigo” na lista de fauna ameaçada. Emerson de Oliveira é gerente de conservação da Biodiversidade da Fundação Gruo Boticário. Ele explica que algumas ações foram tomadas em 2026 para preservar a espécie, como a ampliação de parques nacionais e a Política Nacional para Recuperação da Caatinga, que foram criadas em junho.

“Não tem como tornar tudo como unidade de conservação. Mas aquelas áreas que mantém os remanescentes mais significativos, eles precisam e devem ser protegidos pelos nossos governos. E nessa área em específico, lá na região da Serra das Confusões, é uma das regiões mais importantes do ponto de vista biológico do Brasil porque tá numa região ali de contato entre a Catinga, o Cerrado e essa região de floresta densa, encrave de Mata Atlântica, inclusive. É fundamental para se proteger a biodiversidade em si e isso reflete na proteção, especialmente as espécies guarda-chuva, tem grandes felinos, por exemplo, né? E se protege todas as demais espécies ali da região”.

Para garantir a sobrevivência do tatu-bola, deve ser lançado ainda este ano o Plano de Ação Nacional para Conservação do Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e o Tatu-Bola, chamado de PAN Tatá. O trabalho é liderado do ICMBio e conta com órgãos ambientais, cientistas e organizações da sociedade civil. O objetivo é diminuir as principais ameaças a essas espécies nos próximos cinco anos, com ações como combate ao atropelamento, à caça e o mapeamento genético.

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