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Menos atenção e recursos: doenças negligenciadas seguem como desafio

Oussama El Ghaouri - reporter da Radio Nacional by Oussama El Ghaouri - reporter da Radio Nacional
30 de janeiro de 2026
in Ultimas Noticias, Uncategorized
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Menos atenção e recursos: doenças negligenciadas seguem como desafio

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Hoje, 30 de janeiro, é o Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas.

Essas enfermidades são evitáveis e tratáveis, mas afetam, na Região das Américas, mais de duzentos milhões de pessoas em condições de pobreza e com acesso limitado a serviços de saúde, segundo a OPAS.

A Organização Pan-Americana da Saúde inclui nesse grupo doenças como Chagas, hanseníase, esquistossomose e leishmaniose, que recebem menos atenção política e menos recursos do que outros problemas de saúde.

O pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Felipe Pessoa, detalha por que o interesse da indústria em novos tratamentos é pequeno.

“As grandes companhias farmacológicas, as companhias de produção de remédio, não têm interesse em criar novas drogas porque continua sendo doença de pobre. Então, as indústrias farmacêuticas apostam em câncer, Parkinson, tratamentos que possam trazer situações cosméticas pra melhoria de aparência, remédios que emagrecem… mas doenças infecciosas realmente não rende, não traz dinheiro”.  

Apesar do baixo investimento, a OPAS afirma que vários países avançam. Chile, Uruguai, grande parte da América Central e partes do Caribe estão registrando nenhum ou poucos novos casos, aproximando-se dos marcos de eliminação.

Já o Brasil, de acordo com a organização, enfrenta um fardo significativo: o país concentra mais de 90% dos casos de hanseníase das Américas.

Um boletim sobre a doença, divulgado nesta semana pelo Ministério da Saúde, aponta que apenas em 2024, foram registrados mais de 22 mil novos casos, com as maiores taxas de detecção nas regiões Norte e Centro-Oeste.

O médico infectologista Leonardo Vaisman explica o que mantém a transmissão ativa no país.

“Não é só ter tratamento. O que derruba a transmissão é diagnóstico precoce, busca ativa em áreas de maior risco e vigilância de contatos. Além de reduzir barreiras de acesso. Em um país grande e desigual como o Brasil, com áreas remotas, vulnerabilidade social e estigma, é comum a pessoa demorar a chegar ao diagnóstico e aí continua transmitindo”.   

O boletim do Ministério da Saúde sobre a hanseníase também alerta para esse diagnóstico tardio.

Segundo o documento, em 2024, mais de 11% dos novos casos já apresentavam grau 2 de incapacidade física no momento da descoberta da doença.

De acordo Vaisman, esse padrão se repete para outras doenças negligenciadas quando há saneamento precário, exposição ambiental e dificuldade de acesso ao cuidado. Aí, a eliminação fica mais lenta, mesmo que existam ferramentas eficazes.

Hoje, 30 de janeiro, é o Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas.

Essas enfermidades são evitáveis e tratáveis, mas afetam, na Região das Américas, mais de duzentos milhões de pessoas em condições de pobreza e com acesso limitado a serviços de saúde, segundo a OPAS.

A Organização Pan-Americana da Saúde inclui nesse grupo doenças como Chagas, hanseníase, esquistossomose e leishmaniose, que recebem menos atenção política e menos recursos do que outros problemas de saúde.

O pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Felipe Pessoa, detalha por que o interesse da indústria em novos tratamentos é pequeno.

“As grandes companhias farmacológicas, as companhias de produção de remédio, não têm interesse em criar novas drogas porque continua sendo doença de pobre. Então, as indústrias farmacêuticas apostam em câncer, Parkinson, tratamentos que possam trazer situações cosméticas pra melhoria de aparência, remédios que emagrecem… mas doenças infecciosas realmente não rende, não traz dinheiro”.  

Apesar do baixo investimento, a OPAS afirma que vários países avançam. Chile, Uruguai, grande parte da América Central e partes do Caribe estão registrando nenhum ou poucos novos casos, aproximando-se dos marcos de eliminação.

Já o Brasil, de acordo com a organização, enfrenta um fardo significativo: o país concentra mais de 90% dos casos de hanseníase das Américas.

Um boletim sobre a doença, divulgado nesta semana pelo Ministério da Saúde, aponta que apenas em 2024, foram registrados mais de 22 mil novos casos, com as maiores taxas de detecção nas regiões Norte e Centro-Oeste.

O médico infectologista Leonardo Vaisman explica o que mantém a transmissão ativa no país.

“Não é só ter tratamento. O que derruba a transmissão é diagnóstico precoce, busca ativa em áreas de maior risco e vigilância de contatos. Além de reduzir barreiras de acesso. Em um país grande e desigual como o Brasil, com áreas remotas, vulnerabilidade social e estigma, é comum a pessoa demorar a chegar ao diagnóstico e aí continua transmitindo”.   

O boletim do Ministério da Saúde sobre a hanseníase também alerta para esse diagnóstico tardio.

Segundo o documento, em 2024, mais de 11% dos novos casos já apresentavam grau 2 de incapacidade física no momento da descoberta da doença.

De acordo Vaisman, esse padrão se repete para outras doenças negligenciadas quando há saneamento precário, exposição ambiental e dificuldade de acesso ao cuidado. Aí, a eliminação fica mais lenta, mesmo que existam ferramentas eficazes.

Oussama El Ghaouri - reporter da Radio Nacional

Oussama El Ghaouri - reporter da Radio Nacional

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